"O maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam." Arnold Toynbee

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Dossiê Sanguessugas RJ - Parte I


O “escândalo dos sanguessugas”, também conhecido como “máfia das ambulâncias”, consistiu em um esquema clandestino que envolvia formação de quadrilha, fraude em licitações e corrupção ativa.

Os empresários Luiz Antônio Vedoin e Darci Vedoin, ambos da Planam, e Ronildo Medeiros foram acusados de chefiar o esquema montado para arrecadar dinheiro ilegal com o superfaturamento do orçamento para a compra de ambulâncias e equipamentos hospitalares.

A quadrilha negociava com assessores de parlamentares a liberação de emendas individuais ao Orçamento da União para que fossem destinadas a municípios específicos. As empresas do grupo Planam vendiam, para várias prefeituras, as ambulâncias superfaturadas, adquiridas com dinheiro proveniente dessas emendas apresentadas por parlamentares que, em troca, recebiam comissão.

O esquema foi revelado por uma operação da Polícia Federal, em 2006, que resultou no indiciamento de mais de 60 parlamentares, e investigado pela CPI dos Sanguessugas.  

Todos os políticos fluminenses abaixo foram acusados de envolvimento com o caso e são apontados pela família Vedoin como integrantes do esquema. O valor ao lado do nome de cada um seria a quantia recebida por sua participação no evento.

ALMERINDA DE CARVALHO (PMDB-RJ) - R$ 25 mil
Segundo o empresário Luiz Antônio Vedoin, Almerinda teria feito um acerto sobre emenda de sua autoria destinada ao município de São João do Meriti (RJ), onde seu marido, Antônio de Carvalho (PSC-RJ), era prefeito.

Segundo depoimento do empresário Ronildo de Medeiros à Justiça Federal, entre 2002 e 2005, as empresas de seu marido venceram diversas licitações de forma irregular para a compra de equipamentos médico-hospitalares.

Almerinda de Carvalho, no entanto, foi absolvida junto com outros 25 envolvidos no escândalo. 48 outras autoridades foram derrubadas.

REINALDO BETÃO (PR-RJ) - R$ 40 mil. Além da propina em dinheiro, recebeu um veículo Fiat Fiorino.

Em levantamento feito pela Agência Brasil, o pleito de 2006 foi disputado por pelo menos 58 dos 86 parlamentares acusados de participar do esquema com a Planam. O nome de Reinaldo Betão figurou entre os parlamentares que tiveram sua candidatura indeferida.

REINALDO GRIPP (PR-RJ) - R$ 97 mil
Segundo o empresário Luiz Antônio Vedoin, Reinaldo Gripp dividia as comissões relativas as suas emendas com o então deputado Carlos Rodrigues (Bispo Rodrigues), que comandava os deputados ligados à igreja Universal.

Quando Rodrigues renunciou o mandato em agosto de 2005, Gripp teria assumido as suas emendas. Na ocasião, Vedoin afirmou também que Gripp tentou aumentar suas comissões de 10% para 30%, mas não conseguiu. Segundo Vedoin, o parlamentar pretenderia usar o dinheiro arrecadado no esquema na campanha eleitoral de 2006.

O ex-deputado Reinaldo Gripp afirmou que não exercia seu mandato em 2003 no período em que foi acusado de ter apresentado as emendas. Foi absolvido junto com outros 25 envolvidos no escândalo.

Em 2007 o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio de Janeiro condenou Reinaldo Gripp pela prática de compra de votos durante a campanha eleitoral de 2006, tornando-o inelegível por três anos. Foi acusado de realizar cirurgias gratuitas de laqueadura e varizes na casa de Saúde Bom Pastor, em Queimados (RJ), em troca de votos. Gripp recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi absolvido e pode participar das eleições, porém não conseguiu se eleger.

ELAINE COSTA (PTB-RJ) - R$ 440 mil
Foi acusada de ter feito um acordo para receber 10% do valor de cada emenda ao Orçamento de sua autoria que viesse a ser executada por prefeituras ou entidades não governamentais em benefício do esquema.

Seu assessor Marco Antônio Lopes, ex-funcionário da Planam, foi preso pela Polícia Federal.

Fontes: Folha Online (14/8/2006): Veja lista dos envolvidos com a máfia das ambulâncias no “escândalo dos sanguessugas”, que envolvia parlamentares e diretores da empresa Planam acusados de integrar um esquema de compra de ambulâncias superfaturadas; DHBB - FGV.

Leia também: Ex-deputado sanguessuga confessa crime e cobra punições

2 comentários:

Danilo Lemos disse...

Sabe o que eu sinto falta? Eu sei que os textos de um blog são mais superficiais, e tal, mas fico querendo saber se essas pessoas são candidatas, o que elas andam fazendo por agora. Eu sei que devem ser informações mais complicadas, mas acho que ilustraria melhor o panorama político que você quer apresentar. Essas pessoas são candidatas? Ou participam de campanhas de outros candidatos? Continuam filiadas aos seus partidos da época de acusação?

Acho que a curiosidade é a prova de que o blog é bom, não? Tenho lido todos os textos.

Boa sorte!

Sabrina Guerghe disse...

Olá Danilo! Obrigada pela sua visita ao Breviário!
Fico feliz que tenha lido os posts!

Eu conto as histórias da nossa história, situando os atores no tempo e espaço. Criando sínteses que não existem, desta forma, em lugar algum da internet.
Somado a isto disponibilizo um link do TSE com todos as candidaturas do país inteiro (tá lá no topo do canto direito).
Portanto, quem realmente se interessar por política e quiser votar com consciência procurará informações sobre seu candidato.

Conforme eu disse na Apresentação do blog, o Breviário pretende refrescar a memória. Afinal, este não é um blog eleitoreiro, mas sobre eventos políticos que conformam nossa democracia.
Talvez se eu conseguisse alguma parceria poderia aumentar o seu escopo de informações.
Vejamos o desenrolar das coisas...
De qualquer forma continue lendo, comentando e criticando!
Obrigada!